A MARIPOSA IMPERIAL

(Texto extraído, com autorização, do livro "Mananciais no Deserto", Ed. Betânia)


Há um fato curioso a respeito da mariposa imperial: ela sai do casulo por uma abertura que nos parece pequena demais para o seu corpo. E, interessante, não deixa vestígio de sua passagem: um casulo vazio é tão perfeito como um casulo ocupado.


Vim a saber que, segundo se supõe, a exígua abertura desse casulo é uma provisão da natureza para forçar a circulação dos humores nas asas da mariposa, asas que ao tempo da eclosão são menores que as de outros insetos congêneres.


Certa vez guardei por bom tempo um desses casulos, que têm interessante forma cilíndrica. Por aqueles dias eu andava bem ocupado e ansiava por ver chegar o dia da saída do inseto. Finalmente o dia esperado chegou: e lá fiquei eu uma manhã inteira, interrompendo a todo momento o meu serviço, para observar a trabalhosa saída da mariposa.


Mas, no meu entender, aquela saída estava demorada demais! Pensei que talvez fosse por ter o casulo ficado tanto tempo fora de seu habitat, quem sabe se em condições desfavoráveis. Também podia ser que suas fibras se tivessem ressecado ou enrijecido. E agora o pobre inseto não teria condições de sair dali.


Depois de muito pensar, arvorando-me em mais sábio e compassivo que o Deus Criador, resolvi dar-lhe uma pequena ajuda. Tomei uma tesoura e dei um pique no fiozinho que lhe embaraçava a saída. Pronto! Sem mais dificuldade, lá saiu a minha mariposa, arrastando um corpo entumescido.


Fiquei atento e curioso para ver a expansão de suas asas encolhidas, o que é um espetáculo admirável aos olhos do observador. Olhava curiosamente aqueles minúsculos pontos coloridos, ansioso por vê-los dilatarem-se, formando os desenhos que fazem da mariposa imperial a mais bela de sua espécie.


Mas, nada... E o fenômeno nunca aconteceu! Em minha pressa de ver o inseto em liberdade, eu havia, sem o saber, impedido que se completasse o laborioso processo que estimularia a circulação nos minúsculos vasos de suas asas! E a minha mariposa, criada para voar livremente pelos ares, atravessou sua curta existência arrastando um corpo disforme, com asas atrofiadas.


- - - - - -

(Agora escrevo eu.)

Muitas e muitas vezes tenho-me lembrado desta mariposa quando observo, com olhos compassivos, pessoas que estão se debatendo em meio a sofrimentos, angústias e dores. Eu, de bom grado, lhes cortaria a disciplina e de pronto lhes daria liberdade. Homem sem visão que sou! Qual dessas dores poderia, sem dano, ser poupada?


A perfeita visão, o perfeito amor (Deus) que deseja a perfeição de seu objeto (o Filho), não recua por uma fraqueza sentimental diante do seu sofrimento. O amor de nosso Pai é muito verdadeiro para fraquejar. Porque ama Seus filhos, Ele os corrige e educa a fim de fazê-los participantes da Sua santidade.


Com este fim em vista, Ele não nos poupa do pranto. E aperfeiçoados através do sofrimento, como Seu irmão mais velho Jesus, os filhos de Deus são exercitados na obediência e trazidos à vida nova através das tribulações. Porque ninguém cresce na alegria. Você está sofrendo? A bênção está demorando? Fique susse, Deus sabe o que faz.


Até a próxima semana.

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