NO DESCANSO DE DEUS

Paz, tranquilidade, descanso... Não são coisas que desejamos ardentemente em nossas vidas? Por exemplo, deitar em paz e dormir, levantar com a alma tranquila e tocar a vida? No evangelho de Mateus 11:29, Jesus fala como obter esse descanso: "Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".


Jugo é uma peça de madeira usada para atrelar bois à carroça ou ao arado, também conhecida como canga. Cada animal usa apenas uma. Então, se pomos sobre nós o suave jugo de Jesus, forçosamente temos que nos livrar da canga que a vida ou nós mesmos pusemos sobre nós para podermos vestir a de Jesus. Que é muito, mas muiiiiiito mais leve. Vamos a um exemplo.


No filme "A Missão", o mercenário de escravos Rodrigo Mendonza, interpretado por Robert de Niro, tenta se redimir de ter assassinado o próprio irmão e vai morar com os padres Jesuítas. Eram os tempos da colonização do Brasil, e o ambiente é o da Missão guarani próxima às Cataratas do Iguaçu, palco, aliás, de algumas nelíssimas cenas do longa.


Para chegar à aldeia, entretanto, era necessário subir as cataratas por uma corda e agarrando-se nas pedras lisas e traiçoeiras, sempre correndo o risco de despencar a qualquer momento e espatifar-se nas pedras do rio.


Para mim, é a cena mais dramática do filme, porque Mendonza leva nas costas uma enormidade de coisas, como que pagando penitência por estar convencido que essa era a única forma de obter perdão. E todo esse fardo transformava a subida em uma grande tortura — pelo menos para ele, porque os seus colegas levavam praticamente nada.


Desse modo, Mendonza atrasava a todos, os quais ficavam esperando ele subir, depois escorregar e quase cair, para tentar subir novamente e quase cair outra vez. Em um dado momento, um índio, cansado daquele sobe e escorrega, pega sua faca e corta a corda que prendia o fardo às costas de Mendonza. E as tralhas inúteis despencam barranco abaixo, sumindo em meios às pedras e águas do rio. Assim, o fardo que o prendia dolorosamente à sua velha vida se vai, e ele finalmente podia subir o barranco em paz.


A esse respeito, o apóstolo Paulo diz: “Uma coisa faço: esqueço das coisas que ficaram para trás, avanço para as que estão diante de mim e prossigo para o alvo.” (Filipenses 3:13-14, paráfrase minha.)


Nós podemos contrariar o apóstolo e agir como Mendonza e carregar fardos inúteis por toda a vida, como, por exemplo, não perdoando a nós mesmos quando erramos. Mendonza achava que, carregando aquele imenso volume, pagaria o preço por seus terríveis erros e ficaria livre deles para sempre. Na verdade, ele carregava o fardo de uma vida passada que apenas transformava o seu viver num inferno. Como muitos de nós fazemos.


Ora, no cristianismo isso não existe. Nenhuma atitude nossa, por mais grandiosa que seja, pode livrar-nos dos nossos pecados e tampouco da dor horrível que eles causam. Por isso Jesus veio ao mundo: pagou por todos eles com a própria vida e livrou a nossa cara diante de Deus. Por quê? Porque para Deus, que odeia o pecado mas não o pecador, todo pecado deve ser pago com morte, pois ele é santo e não admite que nós sejamos o contrário.


Em resumo, estávamos com o couro negociado e entregue ao diabo, e isso pelo resto da eternidade, por bilhões e bilhões de anos. Por isso Jesus morreu em nosso lugar. Mas, como é esse negócio dele morrer por mim?


Vamos a outro exemplo. Imagine que você é um criminoso e está no paredão para ser fuzilado. Quando vão atirar, Jesus aparece e grita: "Alto, não atirem! Posso morrer no lugar dele? E se vocês concordarem, quero que ele fique livre para sempre de todo crime, sem nenhuma acusação por tudo o que fez".


Aí ele tomou o seu lugar, levou bala e morreu. Só que não foi bem assim, um tiro e pá, uma morte rápida: foi morte na cruz, lenta, dolorosa, terrível. E agora você pode andar pelas ruas faceiro como cachorro em caminhão de mudança, livre de qualquer acusação.


Foi isso o que realmente aconteceu. No livro de Isaías 53:5 diz que Jesus "foi transpassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados".


Notou o "castigo que nos trouxe a paz"? Por isso Jesus disse para descansarmos nele, trocando o nosso fardo pelo dele. Porque remorso é uma coisa, já o arrependimento é bem diferente. O remorso lhe culpa, o arrependimento lhe traz paz, mas exige mudança de vida.


Ao nos sacrificarmos para que nossos pecados sejam perdoados, estamos vivendo de remorso, simplesmente jogando no lixo a morte de Jesus, desprezando o seu sacrifício. Portanto, perdoe-se como Deus já lhe perdoou antes mesmo de você nascer.


Chega de penitências, sacrifícios e outros que tais para se redimir diante de Deus! Jesus tem um coração do tamanho do universo para abraçar todos os pecadores, do início ao fim dos tempos, e por isso pode morrer por nós. E nos libertou. Uau!


Se você anda se afundando em reclamações, angústias e dores, estão já passou da hora de falar com Jesus. A faca dele é bem mais afiada que a do índio e corta rapidamente a corda que prende você ao passado.


E aí, vamos subir o barranco e olhar as Cataratas de cima?

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