O Grito

Ele saiu correndo pelas ruas da cidade em direção à escola do filho. Chegou antes dos bombeiros e das equipes de resgate, os quais estavam por demais ocupados socorrendo outras pessoas atingidas pelo terremoto no Afeganistão. Lá chegando, o desesperado pai pôs-se a gritar o nome do menino enquanto cavava desesperadamente com as mãos retirando tijolos, pedaços de vigas e reboco. De onde conseguia forças não se sabe, o fato é que gritava o nome do filho o tempo todo: “Arman! Arman!”. Passou a tarde, veio a noite, amanheceu, aí vieram os bombeiros e começaram a cavoucar. Logo chegaram os cães farejadores para auxiliá-los na tarefa, mas ninguém aparecia por debaixo dos escombros. Ele às vezes parava e fazia silêncio para ouvir algum grunhido, um gemido, um filete de voz talvez, mas nada se ouvia.


Naquela hora, mais do que a fome e o cansaço, o que mais lhe incomodava era a promessa que sempre fazia ao filho antes de deixá-lo na escola: “Arman, aconteça o que acontecer, sempre espere pelo papai, está bem? Eu virei buscá-lo com sol, chuva ou neve, por isso nunca se desespere". Posso me atrasar um pouco, mas chegarei, ok?”. Beijava-o, e o pequeno Arman ia contente e saltitante para a aula.


Esse compromisso é que o mantinha aquecido a ponto de não arrefecer na busca. Continuou cavoucando, e assim foi até que, no terceiro dia, ouviu uma voz: “Papai!”. Sua alma se agitou, ele deu um pulo, gritou pedindo ajuda e logo um menino viçoso e coberto de poeira apareceu. Primeiro a cabeça, depois o corpo todo, e logo o pequeno Arman estava no colo do vitorioso pai, que o abraçava, beijava e chorava. Aos poucos, vários outros coleguinhas foram saindo, para alegria de toda a aldeia. Um milagre havia acontecido: todos se salvaram! Então o pequeno Arman olhou para os colegas e disse: “Eu não falei que o meu pai viria me buscar? Ele havia prometido que nunca me abandonaria, acontecesse o que acontecesse!”.


Não muito longe dali, num outro país do Oriente Médio, um dia um homem também gritou diante da morte iminente. Angustiado, ferido por dentro e por fora, sentindo-se só e abandonado, gritava pelo pai. As pessoas que o ouviam caçoavam e diziam: “Ele está clamando por Eli”. Na verdade o moribundo gritava por Eloí, não por Eli: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que em aramaico quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?


Um pai chamando pelo filho no Afeganistão. Um filho chamando pelo pai em Jerusalém. Ambos gritando em busca daquele que amavam. O primeiro foi resgatado pelo pai três dias depois de soterrado; o segundo, três dias depois de sepultado. O primeiro se chamava Arman; o segundo, Jesus.


O nosso consolo é que Jesus, tal como o pai de Arman, um dia voltará para nos buscar, quer estejamos soterrados em angústias, dores ou solidão, quer estejamos vivendo em imensa em paz e alegria. De uma forma ou de outra, Ele conduzirá ao céu os que são dEle. Claro, não subirão todos; irão com Ele apenas os que fizeram a vontade do Pai e que Lhe foram fiéis enquanto viveram.


E é bom que tenha sido mesmo! Se você acha que a nossa vida hoje é sofrida, imagine então quando Deus retirar o Espírito Santo da Terra e não se importar mais com você — caso não suba. Afinal, aquele que não subir com Jesus não é dEle, e por isso ficará.


Por isso, faça como Arman: espere a vinda de Jesus, aquele que prometeu vir buscar-nos com a mesma certeza que você espera o nascer do sol. Se o pai do menino afegão cumpriu sua promessa, mesmo sangrando as mãos e extenuado de cansaço, Jesus também cumprirá a Sua: Suas mãos sangraram bem mais que as do afegão e ainda foi morto para poder nos resgatar.


Porém, a maior diferença mesmo está no fato que o pai de Arman abraçou o filho e chorou, enquanto é J E S U S quem nos envolverá em Seus braços e enxugará as lágrimas dos nossos olhos, dizendo: 'Venha, bendito do meu pai, para a festa eterna que Eu preparei para você'.


Então, vamos

- crer mais,

- amar mais a Deus e ao próximo,

- anular a desesperança,

- e olhar mais para o céu do que para o chão?


Até a próxima semana.

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