O LOUCO DO AVIÃO

Esta é uma história real, extraída da revista Seleções do Reader's Digest.

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Não, não havia engano: infelizmente, era mesmo um bebê abandonado que chorava à porta da boa velhinha. E, o que era pior, um menino bem diferente. As pálpebras caídas, os olhos lentos e a boca desmensurada mostrava ser um deficiente físico e, talvez, mental.


Ana era alguém especial, dessas velhotas viúvas, baixinhas, de bem com a vida, sem filhos e amante da música. Tinha uma fé viva no Deus que amava, com o qual não ficava um dia sequer sem “namorá-lo longamente” antes de deitar-se ou levantar. Foi esse coração amável que a fez acolher a pobre criança.

Os anos passavam e Ana cuidava de Pedro com alegria. Dava-lhe banho e comida à boca diariamente, levava-o ao banheiro, lia-lhe longas e ternas poesias à hora de dormir, fazia-o passear pelos parques e bosques, “ensinava-lhe” Mozart, Picasso, Inglês e Francês. Tratava-o como a uma criança normal, ignorando sua demência. Falava-lhe com ênfase e emoção, discutia pormenores da política, ensinava como passar e engomar roupa, bem como as receitas de suas tortas.


Ao piano, insistia para que seu “menino” cantasse com ela algumas alegres canções. Também não faltavam as petições diárias ao bom Deus para que curasse Pedro, pois quem haveria de se interessar por ele quando ela morresse, sendo que se tratava de alguém que nem podia ir ao banheiro sozinho?


O fato de a doença ser grave e incurável não lhe arrefecia o ânimo: “Quem abriu o Mar Vermelho e fez milhões de pessoas atravessá-lo a pé enxuto”, argumentava, “pode muito bem curar o meu Pedro”. E nisso insistia diariamente, com profunda convicção. Até que... cansou. Foi no dia do seu aniversário. Completara 95 anos, e então desabafou: “Basta, Deus! Pedro já está comigo há 25 anos e fiz o melhor que pude. Não tenho marido, filhos ou parentes próximos. Vou vender minha propriedade, pagar um desses asilos para que cuidem até o fim da vida dele, enquanto eu vou para um de velhos descansar o resto dos meus dias. Oportunidade de curá-lo você já teve. Agora, ele está em suas mãos”.


E assim fez. Pôs seu grandalhão num avião e rumou para o seu destino. Mas, ali uma coisa fantástica aconteceu. Sentados, ambos ouviam ópera nos canais de som da poltrona. Pedro fechara os olhos e curtia as músicas tão familiares. Ana relaxou e dormiu. Até que acordou com um vozerio tremendo, alguém cantando estrondosamente. Levantou-se rápida e meio sonolenta e deu de cara com o cantor. E caiu dura na poltrona: o tenor grandalhão era nada menos que o seu Pedro! Sim, era dele aquela voz maravilhosa! “Mas, se ele estava cantando... então... então estava curado!”, gritou. E estava. E Pedro cantava, gesticulava, imitando com os braços os tenores que lhe eram tão familiares.


Sim, era um milagre! Suas orações haviam sido ouvidas. No último instante, mas foram ouvidas. Claro, Pedro ficou com aquele olhar que assusta criancinhas, jeitão meio desengonçado, mas falava Inglês e Francês, cantava óperas e até sabia as receitas de suas tortas.


Esta é uma história real, repito. Eu a li na Seleções do Reader's Digest quando era criança e nunca mais a esqueci. E tenho-a como um sinal espetacular de vitória daqueles que ousam crer até o fim.


Sabe, aprendi a desconfiar que por trás de uma velhinha com guarda-chuvas pode estar se escondendo uma joia rara de fé e convicção. E também que pessoas com problemas mentais podem, perfeitamente, serem os aplaudidos de amanhã. Cuidemo-nos, portanto, com os nossos julgamentos.


E agora pergunto: não seria o caso de imitarmos Ana e começarmos a interceder junto a Jesus por pessoas que gostaríamos de ver mudadas, ou pedir por nós mesmos, pela nossa cidade, pelo Brasil e pelos nossos governantes? Falar mal destes últimos, definitivamente, não os tornará melhores. Se os amaldiçoamos (maldição = mal+dicção = mal dizer = dizer mal = falar mal), eles se tornarão ainda piores. Já a bênção (bene+dicção = falar bem) põe Deus na cola deles e a coisa só tende a melhorar.

Agora, deixo apenas uma pergunta: você crê que Jesus ouve as suas orações e que ele pode realmente, segundo a medida de fé que você tem, dar-lhe o que você tem pedido? A história de Ana e Pedro é apenas mais uma entre milhões de pessoas que creram no poder salvador e curador de Jesus. Portanto, se você tem andando tão cheio de problemas que se sente meio doido... ore! Vai que dentro de você jaz enrustido um Pavarotti ou um grande pregador, prontos para soltarem o verbo através da sua boca? Não há nada que não possa ser mudado pela oração. Quem orar, verá.


Ore e seja feliz.

Até a próxima semana.




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