O NÓ DO AFETO

Este é um texto que já foi lido à exaustão na internet, e nem mesmo sei se é verdadeiro. Entretanto, não deixa de ser um bom tema pra gente abordar hoje. Diz assim:


Em uma reunião de pais numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o máximo de tempo possível.

Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças.


Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho nem de vê-lo durante a semana, porque, quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo; quando voltava, já era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.


Explicou ainda que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho, e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia TODAS as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.


A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.


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O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de as pessoas se fazerem presentes e de se comunicarem umas com as outras. Aquele pai encontrou a sua — eficiente, embora simples. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.


Por vezes nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas que esquecemos do principal, que é a comunicação através do sentimento. Sentimos vergonha de dizer às pessoas que as amamos, que as queremos bem; às vezes, não querenos sequer dizer-lhes que fizeram muito bem determinada coisa, deixando de presenteá-las com um vigoroso elogio — princípio que vale também para o pessoal que trabalha para você. Ora, se falamos mal de quem fez uma coisa errada, por que não falar bem de quem fez uma coisa digna de valor?


Eu falo, digo mesmo. E digo abertamente às pessoas: "Cara, que negócio super 10 é isso aí? Uau, como gostaria de ter sido eu o autor dessa belezura! Parabéns mesmo!". Quem me conhece sabe que sou generoso ao elogiar! Porque não adianta, depois que o cara morre, dizer ao lado do seu caixão: "Nossa, ele era tão bom!". Certo, mas você disse isso a ele quando o cara ainda vivia? Ou então: "Ainda ontem falei com ele...". Ok, e o que você disse pra ele ontem? Falou apenas dos outros? Ou lhe disse coisas como: "Puxa, há quanto tempo, criatura! O que mesmo você tem feito?". Que bom que te encontrei". Ou algo parecido.


A lição do nó do afeto desta mensagem mostra que estamos ficando cada dia mais frios. Claro, há exceções, mas a tecnologia substituiu pra valer a conversa dentro de casa e o telefonema para os de fora. Nos tornamos um g-e-l-o. É ou não é? E a pandemia não é justificativa para a frieza. Jesus um dia disse: "Quando eu voltar à Terra ainda encontrarei amor no mundo?".


Amor é uma coisa, já o afeto é a forma de demonstrar esse amor. Amar sem demonstrar não é amor, é apenas um sentimento. E de pessoas com boas intenções o inferno está cheio.


Jesus não teve ataques de sentimentalismos por nós nem nos amou à distância; pelo contrário, ele veio aqui, tocou pessoas e curou leprosos, cegos, paralíticos. E você vai querer me convencer que "ama" os outros pelo Whats?


Ora, francamente... O calor dos teus lábios na minha bochecha jamais será substituído por um emoji, emoticon ou seja lá o que for. Eu ainda telefono para os meus clientes e parentes, e não sei o que eles acham disso, mas sei que não estou fazendo nada errado. É a minha forma de demonstrar afeto, de dizer que me importo com eles. Podem até estranhar os telefonemas, mas sei que se sentem valorizados. Pra mim isso basta.


Por exemplo, não sei quantas vezes telefonei logo cedo para um ex-cliente e contei-lhe uma piada tirada de um site engraçado. Tudo para ele rir. Só que antes da piada eu lhe dizia: "Cara, lembrei de você. Aliás, nunca te esqueço. E tenho uma piada legal para te contar. Tá a fim?". E contava. Veja, ele é um ex-cliente, uma pessoa que não me gera lucro algum. E que nunca me telefona ou escreve. Mas sei que ele gosta que eu lhe telefone, pois faço diferença na vida dele. Quem sabe, se ele for em meu velório, tenha coisas a dizer a respeito desse relacionamento Amar os que amam você não é amor, é interesse.


Jesus morreu por mim 2.000 anos antes de eu nascer. Ele não esperou que eu o amasse para me salvar do inferno. Ele não impôs condições, apenas me amou, e pronto. Eu só tento imitá-lo.


Agora... falando sério: você se sente importante para alguém? Mesmo? Se você morrer hoje, quem REALMENTE lamentaria a sua morte fora os da sua casa? Se a resposta for "não" ou "não sei", então a coisa está feia para o teu lado. Pense se ninguém for ao seu enterro, se ninguém lamentar a sua morte. Você terá passado pelo mundo e deixado como lembrança apenas um monte de lixo, urina e cocô. Já pensou se escrevessem na tua lápide: "Aqui jaz um cara que nunca fez a diferença"?


Amar custa, claro. Gasto quase dois dias para escrever estas mensagens, gravá-las e postar no Youtube e no site. Mas — uau! — como é prazeroso. Saber que minha existência é útil para alguém é mais do que um presente: é um baita empurrão vida acima. Mas, às vezes nem é preciso fazer muita coisa: basta um nó no lençol. E que ninguém saiba disso, como dizia Jeus. Nada de contar no Facebook ou no Whats.


Isso é amor. O resto é sentimentalismo.


Que Jesus te abençoe.

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